Porque deve começar a correr acompanhado (e outras regras fundamentais)

O tipo de roupa mais indicado, a importância da capacidade de superação e, acima de tudo, as melhores formas para manter (e aumentar) a motivação. Um guia completo com tudo o que um novo runner precisa de saber. 

Não é por acaso que tantas pessoas aderem à corrida: é um desporto que pode ser feito ao ar livre e em quase qualquer sítio, é gratuito e muito eficaz, quer na promoção da saúde, quer no desenvolvimento de uma boa forma física. Estes são os pontos positivos. Vamos aos negativos. O começo. Não vamos mentir: custa, dói e, acima de tudo, cansa. 

As primeiras corridas não são fáceis. Como em todos os rituais de iniciação, tem de se passar inevitavelmente por um período de adaptação. Porém, e apesar de não existir nenhuma fórmula mágica que nos permita saltar esta etapa, há regras simples que garantem que quem começa a correr continua a não desiste.

Armando Monteiro, 42 anos, é atleta de corrida e um dos guias de um dos maiores grupos de corrida de Lisboa - o Correr Lisboa . É ele que fornece um manual completo composto por nove mandamentos obrigatórios para quem se vai iniciar na corrida: desde aquilo que devemos vestir, a formas de nos mantermos motivados e dicas para continuar e não estagnar. 

1. Não começar a correr sozinho

Começar a correr sozinho não é uma boa ideia. Mais do que uma prova de superação física, as primeiras corridas são verdadeiros testes de resistência psicológica. Por este motivo, devemos começar por treinar acompanhados: é uma forma de nos mantermos motivados e de tentarmos ir sempre mais longe. 

Para começar, Armando Monteiro sugere duas opções: ou grupos de corrida, onde se corre "com diversos ritmos" e se vive um sentimento de comunidade e acompanhamento constante, ou treinos guiados por um personal trainer de corrida. Explica que estas são as melhores alternativas para que ninguém saia prejudicado do treino: "Uma pessoa que está a começar a correr, se for com alguém mais experiente, pode esforçar-se mais do que o suposto". Mas pode acontecer o inverso: "A outra pessoa poderá também abrandar para ajudar."

Uma corrida acompanhada pressupõe outro fator importante: a obrigação de assumir um compromisso com outro atleta. Quando estamos sozinhos, é muito mais fácil adiar. Resultado: a primeira corrida poderá ser também a última. 

2. Definir um objetivo

 "O objetivo de corrida de cada um é como uma carta ao namorado", compara o guia de corrida. Seja para perder peso ou para aumentar a resistência e a força física, o que importa é que a meta traçada seja pessoal e verdadeira. Não criar um objetivo é como começar a correr sem destino. Não faz sentido. Não resulta. 

3. Estabelecer metas reais

Sair de casa e correr até à exaustão é um péssimo principio. Sim, é suposto custar mas a fase inicial não deverá ser traumatizante. Para nos mantermos longe deste cenário é importante estabelecer percursos, distâncias ou tempos realistas, que não sejam demasiado fáceis ou demasiado exigentes. 

4. Variar os percursos (mas saber escolher os melhores)

Uma das maiores vantagens da corrida outdoor prende-se com o facto de podermos escolher diferentes sítios para treinar. Ir variando os locais da corrida é um bom método para manter a motivação e não cair na monotonia. Contudo é aconselhável que no inicio o piso seja plano e com poucas subidas e descidas.

Referimos ainda que é importante não correr em locais isolados, sem luz e sem pessoas. O ideal será optar por sítios onde se pratique desporto: além de nos mantermos seguros, estamos inseridos num ambiente que propicia a atividade em que estamos envolvidos. 

4. Definir um horário e não falhar

Um truque para não adiar os treinos é encará-los como reuniões de trabalho. Como diz Armando Monteiro, "é importante que a pessoa se responsabilize, que seja cumpridora e que não fuja". Um novo runner deverá, assim, definir o número de treinos semanais, colocá-los na agenda e não faltar. 

5. Resistir e não parar

O cansaço das primeiras corridas provoca sempre uma súbita e forte vontade de parar. A capacidade de resistirmos a este impulso é o que vai ditar a nossa evolução. "A partir do momento em que estabelecemos uma meta ou um objetivo temos de lá chegar". Assim, devemos delinear um número de quilómetros ou um tempo específico - sempre realistas - e levá-lo até ao fim.  Quando o cansaço começa a ser forte recomenda-se uma diminuição no ritmo. Parar nunca será a melhor solução, uma vez que retomar acabará por ser muito mais doloroso.

Ressalvamos um ponto fundamental: como explica Armando Monteiro, é importante saber distinguir cansaço físico, que é normal, de dor localizada, que é já um alerta para parar. O objetivo nunca deverá ser "sofrer" nem chegar ao "limiar da dor".

6. Não estagnar

Superado o primeiro mês? Ótimo. Isto significa que é hora para aumentar a intensidade do treino, quer em termos de velocidade, que em termos de distância. Se o treino for sempre igual, os resultados serão sempre iguais. Instala-se a monotonia e prevê-se um futuro sem corridas. 

7. Utilizar uma app ou um relógio que marque os progressos

Para estarmos conscientes da nossa evolução e nos mantermos motivados é essencial uma ferramenta que registe velocidades e distâncias. Falamos de relógios desportivos ou de uma das centenas de aplicações de corrida para o telemóvel - muitas de download gratuito. A ideia é sabermos em que ponto estamos, comparar treinos e, assim, ter uma visão abrangente sobre aquilo que já atingimos. É isto que nos faz ter vontade de nos superarmos. 

8. Saber escolher a roupa certa (e não andar demasiado carregado)

O objetivo será sempre um: correr o mais confortável e leve possível. Assim, nos dias frios, o melhor será vestir umas calças de licra, uma T-shirt e uma camisola que poderá ser depois colocada à cintura. No verão, basta uma T-shirt e uns calções. Todas estas roupas deverão ser feitas de material técnico, próprio de corrida, uma vez que este impede o suor de se acumular, tornando assim a roupa mais leve. Outra dica: quantos menos acessórios extra melhor. 

9. Escolher uns ténis adaptados aos pés

Tão importante como escolher a roupa adequada, é utilizar ténis apropriados e confortáveis. A partir do momento em que se começam a sentir dores nos pés, compromete-se a continuidade do treino.

A passada representa a maneira como colocamos o pé no chão, que varia consoante a forma do próprio pé. Divide-se em três grupos: há a passada pronadora, em que há uma ausência de arco no pé; a passada neutra, em que há um arco pouco acentuado; e a supinadora, caracterizada por um arco do pé muito acentuado. 

Se por um lado há quem defenda que o tipo de calçado de corrida deve ir ao encontro a esta característica, há quem acredite que todos devemos utilizar ténis de passada neutra. "Os ténis neutros servem para qualquer pé e ajudam a corrigir os outros tipos de passada", defende Armando Monteiro.

Todas estas regras pretendem contribuir para que quem começa a correr possa usufruir dos enormes benefícios da corrida ao ar livre. Reforçamos: a chave para que o processo se desenrole da melhor forma possível é a motivação e a capacidade de superação. 

 

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