Médico (corredor) salva a vida a participante na Maratona de Nova Iorque

Completar uma maratona já é um feito extraordinário e até heróico, mas aquilo que Theodore Strange fez no domingo vai muito para além disso. A participar na Maratona de Nova Iorque pela 25.ª vez, este médico de 59 anos pensou que estaria a viver apenas mais um dia normal naquela que já é a sua rotina de completar a maratona que muitos sonham e que poucos conseguem entrar. Tudo corria da forma planeada até ao marco das 14 milhas (22,5 quilómetros), onde fez, como habitual, uma paragem para recolher laranjas oferecidas por um amigo. "Não tivesse parado para comer as laranjas e não sei o que poderia ter acontecido. Naquele momento todos os segundos contam".

Seguiu mais duas milhas, até que enquanto corria por entre uma multidão ouviu alguém gritar por ajuda. Percebendo que algo não estava bem, Theodore Strange voltou para trás. "Olhei e vi que no meio da estrada estava uma mulher debruçada sobre uma amiga, que estava ali no chão. O meu instinto disse-me para parar de correr e ir lá ter", lembrou, detalhando que a mulher em questão tinha parado para apertar os cordões e não mais se levantou.

Fazendo uso dos seus conhecimentos médicos, Strange começou a fazer respiração boca a boca à mulher que estava estendida no chão. A primeira tentativa de reanimação não resultou e partiu então para a massagem cardio respiratória, que também não teve o efeito desejado. Praticamente sem outra alternativa, decidiu gritar na direção do polícia mais próximo, pedindo-lhe para que trouxesse um desfibrilador - havia uma tenda de auxílio médico a uns 300 metros do local.

O pessoal médico especializado chegou ao local pouco depois e iniciou as manobras de reanimação, que apenas tiveram sucesso à quarta tentativa. "Ela voltou a ter pulso e ficamos aliviados", admitiu o médico corredor, que esteve entre 20 a 30 minutos ali parado a ajudar a salvar a vida de uma outra atleta. Questionado sobre o que faria depois por um polícia, Strange não teve dúvida. "Disse-lhe que tinha de acabar a prova por ela". E acabou mesmo. As pernas estavam mais pesadas do que nunca e ainda havia muita prova para percorrer, mas não foi isso que o demoveu. Cruzou a linha de meta com 5:16 horas, uma hora mais tarde do que tinha planeado, mas as suas ações durante a prova jamais serão esquecidas.

"As pessoas chamam-me herói, mas eu apenas fiz aquilo para o qual fui treinado. Temos um ditado em Nova Iorque: 'se vês alguma coisa, diz alguma coisa'. Mas a minha filosofia sempre foi 'se vires alguma coisa, faz alguma coisa'. Durante o período em que estive parado a ajudar aquela mulher, nem um corredor parou. Percebo que todos queiram tempos rápidos, mas é nossa obrigação ajudar quem precisa", declarou o corredor.

Quanto à atleta que perdeu os sentidos em prova - que no seu currículo tinha já um IronMan completado -, encontra-se estável no hospital, sendo que a intervenção de Theodore Strange foi vista como decisiva pelos médicos.

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