Egoísmo Positivo: Eles também podem brilhar

Autor: Fábio Lima

Pode o egoísmo ser algo positivo? À primeira vista, o conciliar destas duas palavras não parece muito correto ou possível, mas se lhe falarmos e explicarmos o movimento Egoísmo Positivo talvez mude de ideias. Nascida em Espanha, em 2015, esta iniciativa foi lançada por dois ultramaratonistas (Alejandro Parreño e Jesús Oliver), que de tanto participarem em provas perceberam que já não lhes chegava simplesmente... correr. Tinham de fazer algo de diferente, algo em prol da sociedade.

Saiba mais sobre este movimento em: https://www.facebook.com/EgoismoPositivo

Inicialmente a ideia passava por angariar fundos para causas solidárias, mas rapidamente assumiu outra dimensão, chegando àquela que é atualmente a génese deste movimento: permitir a pessoas com mobilidade reduzida participar em provas de atletismo.

O crescimento foi tão rápido que chamou a atenção em Portugal, levando dois amigos de Espinho – Ricardo Viseu e Daniel Oliveira [na foto em baixo] a tentar perceber de que forma poderiam trazê-lo para o nosso país, por também terem vontade de fazer algo mais do que simplesmente correr. “A nossa ideia passou desde o início por nos identificarmos em fazer algo mais do que participar numa corrida e correr. Tem a ver com uma abordagem diferente do nosso grupo [Runners and Friends, de Espinho], que é um pouco atípico. Não temos um padrão, somos muito arrojados e a ideia é inovar sempre. Somos um grupo de corredores que vive muito da amizade”, revela Daniel Oliveira.

Ricardo deu o primeiro passo em janeiro deste ano, quando encetou contactos com a casa-mãe e, nove meses volvidos, o ‘bebé’ tinha nascido e estava a correr nas ruas do Porto. Apoiado desde a primeira hora pela RunPorto, o Egoísmo Positivo marcou presença na meia-maratona, na qual entraram 18 cadeirantes, apoiados por cerca de 90 atletas. A experiência foi tão positiva que mês e meio depois houve nova invasão de egoísmo positivo nas ruas da Invicta, agora na Family Race, uma prova de 15 quilómetros integrada na Maratona do Porto, na qual participaram 17 atletas com o apoio de 80 outros - estavam inscritos 24, mas o mau tempo acabou por ‘afugentar’ alguns dos interessados.

E apesar das difíceis condições atmosféricas (com muita chuva), o facto de terem visto outros cadeirantes a participar, sempre de sorriso no rosto, produziu um incrível efeito apelativo a todo o projeto. “No próprio dia começámos a receber pedidos de pessoas com cadeiras de rodas que tiveram medo, mas que depois de verem os colegas a fazer a corrida sentiram vontade de estar presentes na próxima”, aponta Daniel. Uma entrada que se fez a todo o gás a norte, na qual teve papel determinante a RunPorto, como explica: “A forma como a RunPorto e o Jorge Teixeira nos acolheram faz toda a diferença. Ele é uma pessoa atenta e preocupada. Este tipo de proatividade da organização para que as coisas corram bem não é muito comum. Teve uma importância muito grande e depois o ‘feedback’ foi muito positivo.”

A nível nacional

A ideia do projeto, explica Daniel Oliveira, passa primeiramente por permitir a participação de pessoas com mobilidade reduzida em provas, mas também por “quebrar algumas barreiras”, até porque considera que, normalmente, as pessoas nestas condições “têm muita relutância em aderir a movimentos, para se salvaguardarem, se protegerem”.

“Começámos a intervir junto dos bairros sociais da nossa zona. A trabalhar com a CERCI, promovendo atividades de mobilidade reduzida. Esse tipo de ações tem quebrado barreiras, pois faz com que os pais já acolham melhor o movimento. A ideia é criar uma bola de neve, que chame mais pessoas ao movimento”, adianta.

E depois do assalto ao Porto, a vontade é expandir o movimento: “Sempre foi de âmbito nacional e já temos uma equipa no terreno a trabalhar em Lisboa, onde em 2019 teremos uma meia-maratona egoísta.” Mas antes de chegar à capital, em janeiro está na mente do movimento participar numa outra prova, em que a ideia é clara: “Bater o recorde nacional da maior equipa em prova, para chamar a atenção para a necessidade da inclusão das pessoas com deficiência no desporto.”

Fotos: Zé Lopes Reportagem

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