E se acabar em último tiver (muitos) aspetos positivos?

"Só quero acabar e não ser último". Se conhece alguns corredores, certamente já terá ouvido esta expressão. Todos temos em nós aquele espírito competitivo, de acabar primeiro do que A ou B, de querer por vezes 'atropelar' o plano de treino para fazer um tempo que, afinal, nem era o nosso objetivo. Se o leitor é corredor, sabe bem que é assim. Mas fique a saber que ser último (ou andar lá para trás)... nem é assim tão mau quanto isso.

Vamos por partes. Primeiro o lado menos sério: se pagou um valor elevado pela sua inscrição, haverá alguma coisa melhor do que fazer valer esse dinheiro do que desfrutar ao máximo das ruas totalmente só para si? Pense que não é todos os dias que tem, por exemplo, a marginal da capital fechada só para que possa fazer aquilo que mais gosta...

E agora vamos à parte séria, àquilo que verdadeiramente nos trouxe aqui: a história da inglesa Lisa Jackson. Autora do livro 'Your Pace or Mine? What Running Taught Me About Life, Laughter and Coming Last', já 106 maratonas completadas no seu currículo, tendo em 26 delas sido mesmo a última a cortar a meta. Se para muitos esse resultado pode ser visto como um fracasso, Lisa encontrou uma nova abordagem, uma nova forma de encarar essa situação. E bem positiva.

Mas já lá vamos. Primeiro recordemos a primeira maratona em que esta londrina foi última. Aconteceu em 2012, na South Downs Marathon, prova na qual Lisa começou a perceber que iria mesmo ser última quando reparou que atrás de si vinha uma pessoa de bicicleta a retirar os sinais dos quilómetros. "Ele estava sempre a dizer que poderia demorar o tempo que quisesse".

Esse resultado surgiu à 31.ª maratona da carreira e tudo mudou a partir daí. Mesmo que até então "não acabar e ser última" fossem os seus maiores receios. "Quando percebi que ser último te garante uma ovação incrível e que recebes uma medalha igual ao primeiro... perdi logo esse medo". Tanto que, depois da primeira, nas 75 seguintes cruzou a linha de meta na úlltima posição em mais 25 ocasiões.

Mas há mais para lá da ovação e da medalha. "Como corredora faladora que sou, encontrei-me durante as provas com todo o tipo de pessoas. Desde ultramaratonistas, octogenários, pessoas que lutam contra o cancro, maratonistas descalços, detentores de recordes mundiais e, claro, corredores extravagantes". "Se usares um critério diferente, como fazer amigos ou ver grandes vistas, todas as corridas têm potencial de ser para recorde pessoal", acrescenta Lisa Jackson, que agora pretende chegar também às 100 meia-maratonas.




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