Doenças crónicas e a corrida: hipertensão arterial

Doenças crónicas e a corrida: hipertensão arterial
 
A hipertensão arterial é uma das doenças mais conhecidas, com maior prevalência na idade adulta. No entanto, alguns estudos mundiais referem a sua existência em cerca de 1 a 2% nos adolescentes. Devendo, em todos os casos ser acompanhada pelos médicos de família, existem várias soluções no mercado (desde aparelhos simples à venda em toda a parte ou em monitoriação personalizada nas farmácias), a aferição arterial deve fazer parte da rotina quotidiana das pessoas e ainda mais nos exames físicos.
 
Diagnóstico
A pressão é considerada normal quando encontramos valores abaixo de 130/85 mmhg, onde 130 é a pressão sistólica e 85 a diastólica, medida em milímetros de mercúrio (mmhg). De acordo com normas nacionais e internacionais, valores superiores a 140 e/ou 90 mmhg em pelo menos três aferições espaçadas entre uma a três semanas, já causam alguma apreensão. 
Assim, devemos aumentar as leituras e estar atentos a dois aspectos. O primeiro é que a pressão arterial é uma variável contínua que quanto maior for o nível tensional, maior será o risco cardiovascular.
O segundo refere-se à provável presença das lesões ou complicações provocadas pela hipertensão no cérebro, coração, rins, vasos sanguíneos e os factores de risco cardiovasculares associados a hipertensão, como idade, sexo, tabagismo, dislipidemias, diabetes, etc.
É importante tratar a pressão elevada e também dos factores de risco cardiovasculares associados à mesma. Uma avaliação completa e global do indivíduo hipertenso é fundamental para a escolha terapêutica e determinação do prognóstico de vida.
 
CLASSIFICAÇÃO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL
 

Pressão arterial

Diastólica (mmgh)

Pressão sistólica

Normal

Menor que 85

Menor que 130

Normal

Entre 85 e 89

Entre 130 e 139

Normal limítrofe

Entre 90 e 99

Entre 140 e 159

Hipertensão leve

 

 

(estágio 1)

Entre 100 e 109

Entre 160 e 179

Hipertensão moderada

 

 

(estágio 2)

Igual/Superior a 110

Igual/Superior a 180

Hipertensão grave

 

 

(estágio 3)

Inferior a 90

Igual/Superior a 140

Hipertensão sistólica

 

 

isolada

 
Tratamento não medicamentoso
Já vimos que a monitorização é fundamental. O acompanhamento clínico também, até porque existem formas de combater a hipertensão que não necessitam de tratamento farmacológico ou medicamentoso, isto no que toca a todos os pacientes hipertensos classificados de pressão normal limítrofe ou para os do estágio I, sem factores de risco (idade, obesidade, dislipidemias, diabetes).
Para os pacientes classificados no estágio 1 com factores de risco e estágio 2 e 3 (hipertensão moderada e severa) a conduta é terapia medicamentosa e alteração dos hábitos de vida. 
 
Principais medidas não farmacológicas
Vejamos as primeiras medidas não farmacológicas, que estão verdadeiramente ao nosso alcance. E essas medidas que reduzem a pressão, são:
1. Diminuição do peso corporal ou sua manutenção dentro dos níveis adequados de índice de massa corporal (IMC) entre 20 e 25. O IMC tem um cálculo simples e rápido e apresenta uma boa relação com a adiposidade corporal. É verdade que não distingue gordura central de gordura periférica e nem massa gordurosa de massa magra, podendo até superestimar o grau de obesidade em indivíduos musculosos. O IMC é medido dividindo o peso em quilos pelo quadrado da altura em metros.
 
IMC = peso (kg)/altura (m2).
Exemplo: peso = 74 kg e altura = 1,81m.
Assim, teríamos IMC = 74/1,81x1,81 ou 74/3,2761 que é igual a 22,58.
 
2. Redução na ingestão de sal, onde o normal é 6 gr/dia de cloreto de sódio e uma maior ingestão de potássio, tanto através de frutas e verduras como pelo consumo dos chamados “sal light”, compostos pela mistura de cloreto de sódio e cloreto de potássio, encontrados nos grandes supermercados.
3. Diminuição de bebidas alcoólicas, sendo 30 a 40 gr de etanol/dia considerado tolerável. Aqui, devemos lembrar-nos que em 100ml de vinho a 11%, teremos 11 gr de etanol.
4. Aumento no consumo de dieta rica em fibras.
5. Prática de exercício
Vejamos agora, numa tabela simples, as melhorias em que estas medidas podem resultar.
 
MODIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL
NA TERAPIA NÃO FARMACOLÓGICA
 
 

Medidas

Modificação

Variação na pressão sistólica/diastólica

 

 

 

Restrição de sódio

Menos 100 mmol/dia

-5,8/-2,5 mmhg

Redução de peso

Menos 4,5 kg

-7,2/-5,9 mmhg

Redução de álcool

Menos 2,7 doses/dia

-4,6/-2,3 mmhg

Exercício

3 vezes/semana

-10,3/-7,5 mmhg

Dieta rica em fibras

 

-11,5/5,5 mmhg

Mais ingestão de potássio

75 mmol/dia

-4,4/-2,5 mmhg

 
 
Prática de exercício
A prática de exercícios regulares também é capaz de diminuir a pressão elevada, como o têm demonstrado alguns trabalhos e estudos, um pouco por todo o mundo. O ideal é a prática de exercícios isotónicos, como caminhadas, natação, ciclismo e corridas leves. Cada um será livre de procurar um exercício eficiente e que também lhe agrade, para que continue a motivar-se e a manter a postura saudável.
Mas atenção, a intensidade do treino num indivíduo com pressão elevada deve ter um controlo maior da parte médica e de profissional da área do treino, pois comporta em si maior risco, se compararmos a população geral. E aqui, certamente terá uma ferramenta útil (encontrada nas lojas de desporto): uso de um cardiofrequencímetro.
Para todos, a intensidade do exercício deve-se situar à volta de 50 a 70% da frequência de reserva ou:
FC do exercício = (FC máxima – FC basal) x (50 a 70%) + FC basal
Sendo FC a Frequência Cardíaca, relembre-se que estamos aqui a lidar de casos de pessoas com hipertensão e neste caso, a FC máxima, cuja fórmula tradicional ainda muito usada, é 220-idade. Será importante e recomendável fazer um teste ergométrico de dois em dois anos para as pessoas acima de 35 anos e nas pessoas abaixo dessa idade com antepassados familiares de doença cardiovascular e/ou sem prática desportiva e/ou com histórico familiar de doença cardíaca ou ainda tonturas e desmaios não diagnosticados ou outros factores agravantes como diabetes, obesidade, dislipidemias e ainda alteração no exame físico.
Agora, e para finalizar, realçamos a importância da aferição constante da pressão arterial, e ainda reforçamos que o seu tratamento não leva à cura na maioria dos casos (hipertensão essencial). Contudo, o seu controlo para níveis normais faz com que a pessoa possa ter uma vida com melhor qualidade e de longevidade semelhante aos chamdos normotensos.
 

 

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