Scout do Sporting revela alguns segredos sobre a forma de trabalhar dos leões e destaca postura de Amorim

22SET 21h41

Num dia de profunda análise sobre o scouting, no congresso que decorreu no Porto, Pedro Brandão, do Sporting, destapou um pouco alguns segredos sobre uma temática cada vez mais relevante e decisiva para o futuro dos clubes, nomeadamente os portugueses que, como sabemos, vivem muito da venda dos seus ativos.

No painel sobre a temática da "Deteção e potencialização do talento", o scout dos leões foi bastante elucidativo sobre a forma como funciona o departamento.

"Rúben Amorim aberto a discussão? Sim, claro que acontece. E acho que é o melhor que pode acontecer em qualquer clube. É muito gratificante ter um treinador que se senta connosco e nos pede opinião. E o contrário também acontece. Com esta partilha, cimentamos conhecimento e percebemos melhor o que ele quer. Os treinadores têm muitas tarefas e nem sempre têm tempo. Mas isto é muito importante para construirmos uma relação de confiança e para estarmos identificados com as ideias dele. Ao mesmo tempo, há também uma maior recetividade da parte do treinador quando falamos de um determinado jogador. Já trabalhei com várias equipas técnicas e este é o cenário ideal", registou Pedro Brandão num palco onde também estavam Fernando Matos (PAOK) e com Eduardo Covelo Mateo (Celta de Vigo).

"O nosso trabalho está muito bem definido. O scouting não toma decisões finais, como é óbvio, mas dá as soluções a quem pode decidir. Depois de o jogador chegar, é importante dar mais algum feedback, há sempre pormenores que podem ter escapado. Quando as coisas começam a andar, a responsabilidade é muito mais dos treinadores e de quem lida com o jogador. O desenvolvimento do jogador depende depois dele próprio e de quem trabalha com ele", sintetizou

Pedro Brandão falou ainda da relevância que têm os dados para a avaliação de um jogador. É algo que tem um peso significativo para a tomada de decisão final, ou seja a aposta na sua contratação. O scout do Sporting deu mesmo um exemplo bem recente, mas sem revelar nomes:

"No Sporting temos um departamento de 'big data' a funcionar em perfeita sintonia com o scouting, a equipa técnica e a componente física. E isto acontece porque acreditamos muito nisso. Ao longo destes últimos anos, já nos aconteceu encontrar jogadores que são fortes num determinado ponto. Pela forma de jogar, o Sporting vai estar muito tempo longe da sua baliza ou seja, há muito espaço para correr para trás. E por isso, contratámos um central rapidíssimo. Eu posso achar que ele é rápido, mas se os outros forem lentos, ele se calhar não é assim tão rápido. Os dados são objetivos e não mentem. Nesse sentido, a utilização dos dados é objetiva. Se determinado jogador se destaca numa componente fundamental para o nosso jogo na lista que temos, se calhar abordamos esse primeiro. Mas atenção que os dados não são a chave de ouro. Não posso olhar só para ali. Os dados precisam de enquadramento. Se forem devidamente enquadrados e trabalhados, vão ser muito úteis para ganhar tempo e ajudar em algum tipo de avaliações. Isto não é o FM. Ninguém pega no rato e vê cinco variáveis. Isto não existe. O enquadramento é fundamental, pois isto não é matemática", assinalou ainda Pedro Brandão sem revelar um exemplo específico, mas claramente referindo-se, por exemplo, ao caso de St. Juste, contratado pelo Sporting no último defeso.

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