Paulo Reis: «Toda a gente já percebeu que a regra dos estrangeiros tem que mudar»

31JUL 22h44

Paulo Reis fez um balanço positivo do Nacional de Clubes de atletismo para o lado do Sporting, especialmente pelo facto de a luta com o Benfica nos homens ter sido até final. O diretor técnico do atletismo do leão lamenta algum azar em certos momentos e aproveita para lançar um apelo à Federação Portuguesa de Atletismo para que seja feita uma clarificação dos regulamentos em relação aos atletas estrangeiros.

"Organizámo-nos e tentámos vir com a melhor estratégia possível, com os atletas que tínhamos, hoje houve uma prova ou outra que podia cair para o nosso lado e não caiu, mas depois tivemos um momento menos bom do atleta do Benfica que nos deu algum alento. No final acabámos empatados, com aquele momento dramático do Tiago Pereira, que tinha que fazer mais que 16,62 metros e lesionou-se no último salto, parecia um argumento de telenovela", começou por comentar o diretor leonino.

Paulo Reis não quis entrar em polémicas em relação aos protestos que foram feitos, mas pediu que a FPA avance com mudanças no que às inscrições diz respeito. "Houve dois protestos, que tenha conhecimento, e questões complicadas em termos de inscrições, mas neste momento acabou. Penso que toda a gente já percebeu que a questão das regras dos estrangeiros tem que mudar, e penso que a federação também entendeu. Houve uma abertura para os atletas ucranianos se inscreverem, que nós aproveitámos [com Andrii Protsenko e Roman Kokoshko], e houve uma falha em termos de análise regulamentar que o Benfica aproveitou com a inscrição de cubanos [Reynier Mena e Roger Iribarne]. Porque o regulamento diz que os atletas que são abrangidos pela alínea 6.2 têm que ser oriundos de países que tenham acordo de reciprocidade no âmbito da cidadania com Portugal ou outro país da União Europeia. Nós não encontrámos nenhum acordo desses relativamente a Cuba, pedimos esse acordo à Federação, nunca nos chegou. Protestar isso não é algo que me caiba a mim. Estou contente com a equipa, deu para agitar as águas e para perceber que estamos aqui para lutar no futuro", disse.

Um outro protesto (na verdade foram dois...) marcou também a prova de 800 metros, com José Carlos Pinto e Nuno Pereira a serem desqualificados depois de uma batalha intensa até à linha de meta. E, mesmo assim, Paulo Reis não quis alongar-se. "Houve protestos e contraprotesto. Estas provas de meio fundo, sobretudo as táticas, têm contacto físico. Começou a 250 metros da meta, depois houve outro a 30 metros e outro na meta, é tudo duvidoso, podiam ter sido os dois desclassificados ou nenhum, vamos respeitar isso. Fizemos o nosso protesto, o juiz Jorge Salcedo é dos melhores juízes do mundo e estava no júri de apelo, temos que acreditar e valorizar o trabalho deles. É altura de enterrar as polémicas, pedir à federação que melhore o procedimento de inscrição de atletas estrangeiros. Na nossa opinião era dois estrangeiros por equipa, para ter os melhores possíveis, independentemente da nacionalidade, e sem alíneas que só vêm complicar".

Falando concretamente da competição masculina, o responsável do Sporting enalteceu a evolução em comparação com o ano passado. "É um empate, no ano passado perdemos por 17 pontos, o que indica uma melhoria bastante grande. Grande parte do mérito é do meu antecessor, Carlos Silva, que foi quem, praticamente, construiu o plantel, à exceção dos ucranianos. Estamos aqui para construir o futuro e estes despiques são bons para a modalidade, para atrair gente ao estádio e quem veio teve esta emoção enorme, a modalidade ganha com esta luta, porque o Sporting vai estar aqui para ganhar e não vamos ter sempre este azar".

Sobre a prova feminina, na qual o Sporting entrava com todo o favoritismo, Paulo Reis enalteceu o facto das leoas se terem apresentado com as melhores. "Em femininos tentámos dignificar o campeonato e vir com a melhor equipa possível, tivemos as grandes atletas do clube, é uma questão de dignificar o clube e a modalidade. Tivemos atletas a fazer excelentes resultados".

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