Dirigente do Shakhtar fala em "jogos de bastidores": «Estão a tentar roubar-nos os jogadores»

23JUN 11h22

Sergei Palkin, CEO Shakhtar, deixou duras críticas aos empresários de futebol que, segundo diz, estão a tentar ganhar com a guerra na Ucrânia. O dirigente considera que "toda a gente está a tentar beneficiar com a situação", mas que os piores são mesmo os "agentes".

"Há pessoas que dizem 'eu apoio a Ucrânia, mas quando dizemos, 'ok, mostra lá o teu apoio', as coisas mudam", conta Sergei Palkin, em declarações ao portal 'The Athletic'. "Há um clube europeu bem conhecido com quem temos um contrato. E nesse contrato há uma cláusula que os obriga a fazerem um encontro particular connosco, sob pena de nos pagarem 300 mil euros. Não fizemos esse jogo, apesar de termos tentado. Quando a guerra começou dissemos-lhes 'não disputámos o particular, nós não precisamos do dinheiro, por isso ofereçam-no aos refugiados ucranianos'. Não pagaram. Este clube tem dinheiro, muito dinheiro. É apenas um exemplo."

No entanto, há quem queira de facto ajudar e o dirigente dá o exemplo do Benfica. "Há clubes que genuinamente ajudaram. Fizemos alguns particulares para angariar fundos, alguns clubes responderam num estalar de dedos. O Olympiacos deu-nos 1.500 caixas de primeiros socorros para o exército; o Benfica mandou muita ajuda humanitária. Vimos o que aconteceu nas diferentes ligas e isso foi uma injeção de adrenalina para nós."

Jogadores de saída?

Os clubes ucranianos estão preocupados com a perda de jogadores. Quantos sairão? "Depende do mercado, Penso que 95 por cento dos ucranianos vão ficar. Os estrangeiros, não sei. Há negociações complicadas, estão a tentar roubar-nos os jogadores. Há jogos de bastidores, clubes a dizerem para eles não jogarem porque os contratos vão ficar sem efeito. Ninguém imagina o que está a acontecer...", relata o dirigente.

"Os empresários chegam aos clubes e dizem 'não paguem ao Shakhtar, paguem-me a mim 10 milhões e esqueçam o clube", acrescentou Sergei Palkin.

Ao que parece certos empresários estarão a passar a ideia que os contratos serão anulados por causa da guerra e que os jogadores poderão ser negociados a custo zero.

Clubes-estado

Nesta entrevista Sergei Palkin defendeu os clubes-estado, como o Manchester City e o PSG, que recebem dinheiro do Médio-Oriente. O Shakhtar também beneficiou de grandes injeções de dinheiro do seu dono. "Apoio todas as entradas de dinheiro no futebol. Vejam o Manchester City. Pode gastar 100 milhões de euros num jogador do Benfica, e o Benfica, por sua vez, pode investir essa verba na sua academia, em infraestruturas ou na equipa principal. E gastar 100 milhões não é sinónimo de sucesso. Quantos clubes gastaram 50 milhões, 100 milhões e não ganharam nada? Do ponto de vista do marketing, quando um clube compra três estrelas, todo o mundo passa a prestar-lhe atenção e ele passa a ser um alvo a abater, é intrigante." 

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