Carina Paim: «Isolo-me numa bolha antes da prova»

25JUL 12h11

RECORD - De tantos bons momentos que já lhe proporcionou o atletismo, qual é o de eleição?

CARINA PAIM - Berlim foi inesquecível.

R - O brilho nos olhos não engana. Muitas memórias da Alemanha?

CP - Muitas. Lembro-me muito bem da meia-final. Não acreditava que tinha feito um recorde pessoal de quase um segundo e estava bastante contente porque via toda a gente da comitiva portuguesa ao rubro. Mais tarde acabei por rever a minha prova e o relatador também estava ao rubro... Foi tudo incrível. Nunca tinha conquistado uma medalha, nunca tinha estado tão bem numa competição internacional, foi tudo novo. Na final, no dia seguinte, tinha baixado mais um segundo do novo recorde. Foram muitas novidades, emoções, foi tudo muito bom.

R - O que lhe veio à cabeça quando terminou a prova?

CP - Primeiro não acreditei. Depois só pensei em agradecer à minha treinadora, que foi ela que fez todo o trabalho comigo. Pensei também que todo o esforço naquela época era recompensado. Como vinha de uma mudança também me veio à cabeça que acabou por ser excelente o que fiz à minha vida. Pouco depois, já só pensava na próxima competição, em trabalhar tão bem como naquele ano para ser tão feliz como fui ali.

R - Como é que se mantém o foco antes de uma competição desse gabarito?

CP - Estou sempre a ouvir música para me abstrair dos nervos. Fico mesmo bastante nervosa e às vezes até parece que me sinto mal. Normalmente tento isolar-me numa bolha, estar só eu, concentrada, e antes de ouvir as vozes de partida tento fechar os olhos e visualizar o percurso todo e todas as fases que tenho de fazer, para quando for para os blocos não pensar em mais nada a não ser correr. Antes de arrancar a Carina está fechada. Aconteceu-me em Berlim, precisamente, - na que considero ser a minha melhor prova de sempre –, criar quase que automaticamente uma bolha à minha volta. Adaptei isso para todas as vezes que vou competir porque senti-me bem e correu bem e agora sinto que se o fizer as coisas ficam bem encaminhadas.

R - A sua treinadora teve um papel crucial?

CP - Foi o meu pilar e quem me ajudou a crescer também a nível pessoal. É treinadora, amiga, a família que tive é que tenho aqui em Lisboa.

R - Veio para Lisboa pelo convite do Sporting?

CP - Também, mas vim mais por opção minha. As coisas não estavam a correr muito bem com o meu antigo treinador e queria ter oportunidade de melhorar, de continuar a crescer. Também queria dar uma volta à minha vida académica... pelo que esta mudança de que necessitava aconteceu ao mesmo tempo em que recebi o convite do Sporting. O segundo, porque já tinha sido convidada no ano anterior. Acabou por ser uma mudança em tudo. Na casa, nos treinos, na rotina... mas também rapidamente percebi foi uma mudança boa porque logo no primeiro ano consegui conquistas grandes.

R - Era uma fase menos boa que vivia em 2017. Foi fácil tomar a decisão de dar uma volta de 180 graus?

CP -Estava com algum medo da mudança. Vinha do Norte para Lisboa, era uma mudança grande... mas também sabia que sempre me adaptei bem às coisas. Correu bem, ambientei-me rápido a Lisboa e, por muito que tenha vindo sozinha para a capital, tive o apoio de amigos e da Federação.

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