Carina Paim: «Será como se fossem os primeiros Jogos»

25JUL 11h47

RECORD - Os Jogos estão aí à porta e acredito que uma medalhada pense sempre em grandes feitos. Que objetivos tem para Tóquio’2020?

CARINA PAIM – É difícil. Estes Jogos vão ser muito estranhos, até porque já deviam ter acontecido. Ou seja, é mais um ano, estamos todos muito cansados, não sabemos o que esperar porque o ano passado foi um ano de treinos muito diferente. Este ano mais diferente está a ser porque para além do cansaço não sabemos não só o que esperar dos outros, mas também de nós. Estamos um bocado ‘naquela’ de ir e fazer o que estamos prontos a fazer... mas o que esperar não sei! Já os objetivos são sempre os mesmos: tentar chegar o mais longe possível, que é a final, neste caso, e o meu objetivo será também o recorde pessoal. Se chegar à final e bater o meu recorde pessoal, o objetivo está cumprido. Não estou a contar com trazer medalha, o melhor, porque esse é objetivo de todas as que lá estão. Portanto, primeiro isso: chegar à final e bater o recorde pessoal.

R - Apesar do ano particularmente atípico, acredita que tudo fez para - para além de bater poder bater os 57,29 s – e poder sonhar com uma medalha já nestes Jogos?

CP – Não sei se trabalhei o suficiente para a medalha, mas tenho feito todos os possíveis para chegar a Tóquio e deixar Portugal bem representado. O meu melhor sei que vou lá deixar, mesmo que não seja o possível para as medalhas. Vou deixar o que puder.

R - Foi assim no Rio de Janeiro?

CP – Foi muito diferente em 2016. Só consegui ir porque a Rússia foi excluída e para além ter sido tudo muito em cima da hora, estava completamente perdida, foi inesperado. Nestes Jogos terei mais noçao, outros objetivos e consciência daquilo que quero fazer. Confesso que nem tenho muitas memórias do Rio. Sei que estava muito assustada por ser um mundo diferente das outras competições. Vou sentir que estes serão como os primeiros Jogos porque nos outros não tive capacidade para absorver tudo que estava a acontecer.

R - Falava de algum cansaço de agora, de um conceito de treinos diferente neste último ano e meio... Como tem sido o tempo de preparação para a competição de sonho?

CP – Foram tempos de pandemia passados em casa. Não conseguíamos ir para a pista, também não fomos para a rua, fizemos passadeira, fizemos muitos exercícios de ginásio, sendo que neste aspeto foi quase igual porque tivemos praticamente o mesmo material. A falta da pista é que foi mais difícil de contornar, mas fizemos o mais idêntico possível. Já este 2021 em específico foi mais normal, mas tivemos que voltar aos pouquinhos porque vínhamos de treinos completamente diferentes.

R - Como foi quando finalmente voltou à pista?

CP – Foi estranho mas bom ao mesmo tempo. Foi muito tempo em casa, como se tivesse estado de férias mas foi muito bom e libertador.

R - Recuemos: como é que começou esta aventura no atletismo?

CP –Fiz muitos anos de ginástica. Desde os sete. Andava na ginástica mas também era boa noutras modalidades. Sempre fui muito mexida e no ensino secundário os meus professores aconselharam-me a experimentar, ir a umas provas de atletismo e a falar com os meus professores de desporto porque também era muito rápida. Fui algumas vezes, experimentei e acabei por gostar. Até dada altura consegui conciliar as duas coisas, mas depois comecei a desenvolver-me mais no atletismo e tive de optar. Vivia em Viseu e também não tinha grande margem de evolução. No atletismo conseguia chegar mais longe.

R - Ainda que já não fosse propriamente nova para iniciar-se numa nova modalidade...

CP - Sim, tinha 16 anos. Comecei no final de 2015 e em 2016 tive logo o meu primeiro Europeu e os Jogos do Rio.

R - O que significa que andava há um par de meses ‘nisto’ quando foi colocada à prova.

CP - Exato. Fui aos Jogos um pouco por sorte, porque se as russas não tivessem saído não tinha conseguido ir, mas para o Europeu consegui qualificar-me logo.

R - Ficou com aquela sensação de que andou imenso tempo na ginástica para depois... brilhar no atletismo?

CP - A minha paixão continua a ser a ginástica. Puxa-nos de cá de dentro, comunica mais com o nosso corpo, é diferente, Já o atletismo é aquilo que apazigua os meus dias.

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