Pichardo depois do ouro no Europeu: «Posso saltar mais longe»

07MAR 14h52

Pedro Pichardo fez ouvir pela primeira vez o hino português numa grande competição de atletismo, em Torun, Polónia, naquela que foi uma das vitórias mais fáceis da carreira do triplista.

No último dia dos Europeus de atletismo em pista coberta, resolveu o concurso logo ao primeiro salto, com 17,30 metros, e já com a medalha de ouro 'garantida' tentou arriscar, para uma grande marca, mas acabou por não o conseguir.

"O meu objetivo era garantir a vitória logo a abrir, e já com a vitória garantida fazer um grande salto, a seguir. Depois do quinto salto, já deu para perceber que eles começaram mesmo a ficar fatigados, mas não consegui melhorar no último", recordou Pichardo, já depois de ter recebido a medalha de ouro.

A presença nos Jogos Olímpicos já estava garantida, pelo que ficou por juntar ao sucesso de hoje o recorde nacional, que está na posse de Nelson Évora, com mais 10 centímetros.

O atleta, que é treinado pelo seu próprio pai, Jorge Pichardo, não escondeu, no entanto, que não gostou do primeiro salto: "Não foi bom. Há sempre erros e naquele salto eu fiz vários erros, por isso não podia estar muito feliz com isso, apesar de ter sido o suficiente para conseguir a vitória, hoje".

"Posso saltar mais longe, e esse é sempre o meu objetivo - ser o melhor que posso ser. Queria mesmo fazer um salto bem maior", acrescentou, descartando que a melhoria do recorde nacional seja a meta. "Bater o recorde nacional não é realmente um grande objetivo, porque hoje existem outros saltadores que estão a saltar muito mais longe do que isso. Veja-se o [Hugues Fabrice] Zango, o recordista mundial em pista coberta, ele já saltou 18 metros. Eu quero é passar essas marcas. Bater o recorde nacional só por si não me deixa por cima deles", acrescentou Pichardo.

"Mas mais importante é levar a vitória na bagagem para casa. Depois de perder uma medalha em Doha (nos Mundiais), ganhar o ouro aqui significou muito, principalmente porque é uma forma de mostrar o reconhecimento pelo que Portugal fez por mim, de me dar a oportunidade de continuar a fazer o que quero, saltar, por isso estou muito grato por isso", disse ainda.

No caminho para os Jogos Olímpicos de Tóquio2020, "grande objetivo de todos", confirmou que a Liga Diamante fará parte dos seus planos. "Estou muito contente por o triplo salto estar de volta ao programa principal dos maiores 'meetings'. Já venci a Liga Diamante uma vez e esse foi um dos grandes momentos da minha carreira", reforçou.

Em Torun, Polónia, Pichardo superou todos os adversários por larga margem, com o pódio a ficar completo com o azeri Alexis Copello (17,04) e o alemão Max Hess (17,01).

O português 'arrumou o assunto' com um salto inicial de grande classe, mas fez mais três saltos que lhe dariam ouro (17,09, 17,06 e 17,12). Só fez um nulo e prescindiu do quinto ensaio, para se resguardar para a eventual necessidade de ter de 'responder' aos adversários no sexto e último salto - "O meu treinador notou que eu estava a ficar um pouco fatigado, que necessitava de recuperar um bocadinho. Fizemos isso e depois foi o último salto, de confirmação", explicou.

Curiosamente, ouro e prata foram para atletas de origem cubana que optaram por continuar a competir a nível internacional por outros países. Pichardo, de 27 anos, nasceu em Santiago de Cuba e naturalizou-se português no final de 2017.

Há dois anos, foi quarto classificado nos Campeonatos do Mundo, já como português, mas no seu currículo conta ainda com duas medalhas de prata, em 2013 e 2015, ainda como atleta de Cuba.

Esta é a segunda medalha de Portugal nestes Europeus de Torun, depois do ouro de Auriol Dongmo no lançamento do peso, sexta-feira, elevando para 25 o total das medalhas lusas em todas as edições dos campeonatos.

Antes de Portugal se despedir de Torun, com a presença de Patrícia Mamona na final do triplo feminino, também competiram na manhã de hoje, nos 60 metros, Lorene Bazolo, que ficou na primeira eliminatória (7,40 segundos), e Rosalina Santos, que chegou às semifinais (7,38).

Na outra final da manhã, o salto em altura masculino, o campeão de há dois anos, o italiano Gianmarco Tamberi, teve de se contentar com a prata, batido pelo novo campeão, o bielorrusso Maksin Nedasekau, que com 2,37 metros saltou para a liderança mundial de 2021.

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