Recordes para começar o ano

14JAN 11h42

No mesmo fim de semana em que o Autódromo do Estoril deveria ter recebido os Campeonato Nacionais de Estrada – a prova acabaria adiada devido às condicionantes impostas pelo estado de emergência –, a Associação de Atletismo de Lisboa decidiu dar aos atletas de elite federados na região da capital uma oportunidade de fazerem valer o seu treino, com a realização, no Estádio Universitário de Lisboa, de uma prova de cinco quilómetros, reservada a um pelotão muito limitado, que tinha desde logo como principal aliciante o facto de ser praticamente certa a definição de novos recordes nacionais. Não necessariamente os tempos mais rápidos corridos por um português nesta distância, mas sim o melhor registo à luz dos novos regulamentos da World Athletics, que apenas reconhece tempos nesta distância, pouco vista em competição, desde 2018 e com um elevado número de requisitos a cumprir.

A AA Lisboa cumpriu-os todos e, no final, Samuel Barata e Susana Cunha saíram de Lisboa com um novo estatuto para juntar ao currículo. O atleta do Benfica, que já tinha dado boas indicações nas últimas provas em que havia participado (recorde pessoal no Mundial da Meia-Maratona e ainda o título nacional nos 10.000 metros) conseguiu baixar da barreira dos 14 minutos – fez 13.58 m – e ficou a apenas 7 segundos do registo de Paulo Guerra, o mais rápido de sempre no nosso país nos 5 km, com uma marca feita já no século passado, em 1996.

Nota ainda para o facto de Samuel Freire, o segundo colocado nesta prova, ter fixado com os seus 14.05 minutos um novo recorde nacional de Cabo Verde, o país do qual é originário e pelo qual compete a nível internacional. Quanto às senhoras, num pelotão bem mais reduzido em relação ao masculino, venceu Susana Cunha com 16.37 minutos, com mais de meio minuto de avanço para a segunda colocada. Um registo que no caso da atleta do RD Águeda fica a mais de um minuto da marca de Dulce Félix, que em 2011 correu em Viena em 15.28 minutos. Ainda assim, conforme dissemos antes, o tempo para recorde de Portugal apenas é válido quando obtido após 2018 e cumprindo as regras impostas pela World Athletics.

Futuro incerto

A realização desta prova em Lisboa acabou mesmo por ser a última oportunidade de competir antes do período de confinamento decretado esta semana pelo Governo e a verdade é que daqui para a frente pouco se sabe sobre o que irá acontecer. Novamente com o País ‘fechado’ (previsivelmente por um mês), e sem previsão de provas nas próximas semanas, os atletas verão encurtar-se ainda mais as chances de competição tendo em vista a presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio’2020. Isto se os Jogos efetivamente se realizarem... 

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