Salomé Rocha e Catarina Ribeiro na Maratona de Londres para recorde pessoal

02OUT 12h08

Carla Salomé Rocha e Sara Catarina Ribeiro estão entre as 28 eleitas para correr na manhã de domingo a Maratona de Londres, podendo ambas conseguir na capital inglesa a confirmação dos mínimos olímpicos e novos recordes pessoais.

A antevisão é de Rui Ferreira, treinador das duas maratonistas, que espera que o facto de já terem os mínimos alcançados lhes permita corridas mais soltas e arriscar andamentos para recordes pessoais, elas que já são a terceira e oitava lusas de sempre.

"O trabalho está feito, ambas estão muito bem e podem superar o seu melhor", disse à agência Lusa o treinador, que, no entanto, advertiu para o facto de se tratar de um traçado novo e de haver muitas limitações ditadas pela pandemia de covid-19.

Tradicionalmente corrida em abril, entre Greenwich e a zona do palácio de Buckingham, com dezenas de milhares a participarem e a assistirem, quase nada fica desse modelo.

A começar pelo adiamento, passando pelo trajeto (um circuito em redor de St. James Park) até à ausência de público e a restrição da corrida a atletas de elite.

Em femininos, serão somente 28, num circuito fechado a completar quase 20 vezes, o que o torna mais próximo de uma maratona de grandes campeonatos. O símbolo mais relevante de ligação com o passado será a meta no Mall, em frente ao Palácio Real.

O quarteirão do parque fica fechado, sem acesso a nenhum espetador, e até os atletas em prova serão avisados, através de um sinal eletrónico, de que podem estar a desleixar o distanciamento social.

Para Salomé Rocha, é de alguma forma o regresso a um palco onde foi muito feliz, ela que foi oitava no ano passado, com 2:24.47 horas, o que a deixou no terceiro lugar do ranking português, logo atrás de Rosa Mota e Jessica Augusto. Há um ano, esteve no Mundial de Doha e tudo lhe correu mal, esforçando-se, a partir de certa altura, apenas em concluir.

O treinador assegura que isso "está completamente ultrapassado". "Tivemos uns dois ou três meses para recuperar, física e psicologicamente, e depois a Salomé já apareceu muito bem no Nacional de Estrada, onde foi campeã".

Convidada para a maratona em abril, a pandemia "estragou as contas" e teve de se partir para um plano alternativo, numa época quase sem provas. "Apontámos então para esta fase do ano, treinámos para chegar aqui em boa forma", explicou Rui Ferreira.

O técnico enalteceu a "excelência do grupo de treinos", em que também está Catarina Ribeiro e alguns atletas masculinos, que permitiram fazer "simulações de boas corridas de 10 mil metros", com andamentos para "32, 34 minutos".

Tal como Salomé, Catarina tem 30 anos e um percurso comum a nível de treinos já há algum tempo.

Mas só esta época chegou realmente ao topo, com o 12.º lugar em Valência, com 2:26.39 (oitava portuguesa de sempre), ainda antes do confinamento, tal como o bronze no Nacional de Estrada.

"Ela está muitíssimo forte e já pensávamos fazer uma maratona no outono", acrescenta Rui Ferreira, admitindo que o convite para a prova londrina ficou a dever-se ao prestígio conseguido por Salomé.

Com os mínimos para os Jogos Olímpicos Tóquio2020 feitos e sem grande pressão das adversárias, as duas atletas esperam sim "recordes pessoais e melhorar a posição no ranking mundial".

"O traçado é diferente, não sei se mais rápido, mas seguramente mais monótono", ironizou Rui Ferreira. "Elas sabem muito bem os andamentos que deverão fazer e são elas que vai gerir isso, pelos painéis de informação de tempos de passagem".

Sem o treinador lá, terão de "correr de forma mais autónoma do que o habitual, mas elas sabem como superar isso, são as duas muito experientes". Quanto a Rui Ferreira, fica a ver a prova em casa, a "torcer por duas boas corridas".

Em Londres desde terça-feira, as atletas foram testadas à covid-19 à chegada e remetidas a uma bolha sanitária, num hotel, até à prova.

Este isolamento que só termina acaba na manhã de domingo, quando a prova for para a estrada, pelas 07:15 horas, três horas antes da corrida masculina.

Já prova popular da Maratona de Londres foi transformada em virtual, permitindo que corredores de pelotão cumpram os 42,195 quilómetros ao longo de todo o dia de domingo, em qualquer lugar.

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