Recorde europeu da hora de Sondre Nordstad Moen anulado por causa das sapatilhas

11AGO 14h24

Durou pouco tempo a celebração do norueguês Sondre Nordstad Moen após quebrar o recorde europeu da hora e dos 20 quilómetros em pista. E tudo por causa das sapatilhas utilizadas, as Vaporfly NEXT%. É que, à luz das regras anunciadas na semana passada, sapatilhas com uma altura de meia-sola superior a 25mm estão proibidas de ser utilizadas em pista, algo que as 'máquinas' utilizadas pelo nórdico claramente não cumprem - têm 40mm na zona do calcanhar.

"O recorde não será aprovado. As sapatilhas utilizadas não cumpriam as regras. Os corredores foram informados desta questão atempadamente", declarou Yannis Nikolaou, chefe do departamento de comunicação da World Athletics citado pelo jornal 'Fædrelandsvennen'.

Uma declaração que caiu como um balde de água fria para o atleta norueguês. "Sim, o recorde vai ser riscado. Mas na altura tive logo a impressão de que iria ser rejeitado e acabei por não desfrutar tanto quanto devia. A única coisa positiva disto tudo foi ter conseguido testar a minha forma. Quebrei as regras e sinto que até fiz algo de ilegal. É esse o meu sentimento. Talvez seja essa a intenção deles, mas isto é apenas desporto e muitos já fizeram bem pior do que eu. Mas claro que é uma pena este trabalho todo não ter a recompensa. Não sei se deva assumir as culpas ou atribuí-las a outros. Prefiro sentir-me inocente, mas a World Athletics quer que eu admira que quebrei as regras", referiu o atleta nórdico, que na sua tentativa havia quebrado o máximo da hora (21.131 metros, contra os 20.944 metros de Jos Hermens) e o dos 20000 metros (56:53.2 contra os 57.18.4 minutos de Dionísio Castro).

De referir que neste mesmo evento houve quem tenha optado por seguir as regras para atacar um novo recorde nacional, mesmo que isso tenha significado fazer algo pouco recomendável: utilizar um modelo novo em prova. Ao saber das novas limitações, o dinamarquês Thijs Nijhuis foi a uma loja na véspera para comprar um modelo de acordo com a nova regulamentação e, ao contrário de Sondre Moen, terá a sua marca ratificada. Ainda assim, apesar do sucesso, Nijhuis não deixou de se mostrar crítico. "É uma loucura começar uma época e alterar as regras a meio. Ainda por cima tornando-as tão vagas, que podem ser interpretadas de várias formas. Não temos de ser nós a decidir se é certo ou errado. E quando nem a World Athletics é explícita, torna-se muito complicado", lamentou o atleta, que fixou o novo recorde nacional da hora do seu país em 19.872 metros.

Uma coisa é certa: esta é já a segunda polémica a envolver a utilização de sapatilhas irregulares depois da entrada em vigor das novas regras da World Athletics. A primeira havia sucedido na semana passada, quando a sueca Charlotta Fougberg foi desclassificada na prova de 5000 metros de um meeting do seu país. Na altura, Fougberg até se defendeu dizendo que tinha confirmado com a marca em causa se as sapatilhas estavam de acordo com as regras, mas de pouco lhe valeu.

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