Dean Karnazes no Oceanário de Lisboa contra poluição dos Oceanos


Dean Karnazes está de novo em Portugal. 10 anos depois da sua primeira visita, em que apadrinhou pela primeira vez uma iniciativa portuguesa, o Ultra da Serra da Freita, o ultramaratonista norte-americano regressa à prova e, na manhã de ontem, esteve no Oceanário de Lisboa, a convite deste, com o apoio da WeRun, para o outro lado da sua agenda e atividade, a que tem a ver com o apoio à vida saudável e também à sustentabilidade do planeta.
Este encontro entre Dean e o Oceanário de Lisboa já esteve para acontecer durante a anterior visita a Portugal, em Abril passado, para apadrinhar o Ultra Trail de Cascais, altura em que aproveitou para lançar o seu último livro, «A Lenda de Maratona», mas a sua apertada agenda adiou esse momento para o dia de ontem.
A intenção dos responsáveis do Oceanário de Lisboa, que ontem teve como guia especial, o assistente de curador do espaço, Nuno Rodrigues, é alertar a população mundial para um problema emergente, que poderá redundar em grande catástrofe, e que tem a vem com o excesso de plástico que é abandonado e, mais tarde ou mais cedo acaba nos oceanos, e também com a presença de microplásticos que cada vez chegam mais às mesas das pessoas.
A presença de Karnazes e a sua sensibilização para a causa, passa por difundir a mensagem de que, nas corridas, de estrada e não só, os corredores sejam cada vez mais conscienciosos e que tenham sempre material reutilizável, copos, ou outros garrafas próprias, que possam utilizar em autosuficiência, como existe nos trails.
Embora seja um “nicho” de “poluidores”, a verdade é que os corredores em todo o mundo são responsáveis pela utilização e abandono de recipientes plásticos (vulgo garrafas) que causa enorme poluição.
A utilização de recipientes em vários pontos que permitam aos corredores deitar para lá esse lixo, não é suficiente e, também é verdade, que nessas horas também se desperdiça milhares de litros de água, que fazem falta para a sustentabilidade do planeta.
São mais de 8000 mil indivíduos de 500 espécies que estão nos tanques central e de galerias do Oceanário de Lisboa.
Enquanto visitava o espaço, Dean Karnazes, acompanhado pela sua filha Alexandria, estava sensibilizado pela campanha.

(Ver mais sobre Dean, noutra notícia neste site)

 


 
A preocupação do plástico
 
«Mas de onde vem a preocupação?», pergunta o leitor. Vem de diversos estudos, publicados desde os Estados Unidos à Europa, passando até pela China, e que apresentam indicações claras de que os microplásticos já entraram na nossa cadeia alimentar. E não apenas pela ingestão de peixes e moluscos - o sal marinho os contém.
Os microplásticos são encontrados em mares em todo o mundo. A partir daí surgiu a desconfiança de que os sais do mar pudessem conter microplásticos, pois são fornecidos diretamente da água do mar. Para testar a hipótese, cientistas chineses recolheram amostras de 15 marcas de sal do mar em supermercados de toda a China. Com a pesquisa, encontraram entre os grãos de sal micropartículas de tereftalato de polietileno de plástico de garrafa de água comum, bem como polietileno, celofane, e uma grande variedade de outros plásticos.
O maior nível de contaminação de plástico foi encontrado no sal proveniente do oceano. Os pesquisadores mediram mais de 550.681 partículas de plástico em cada quilo de sal marinho. Apesar da pesquisa ser referente aos sais produzidos na China, a descoberta levanta a preocupação acerca do consumo de sal marinho, considerado mais saudável por não passar por um processo de refinação e por possuir minerais em sua composição.
A maioria das partículas de plástico encontradas, cerca de 55%, medem menos do que 200 µm (um micrómetro equivale à milésima parte do milímetro).  O cálculo feito pelos cientistas apontou que um indivíduo que consome a quantidade recomendada de sal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de cinco gramas, iria ingerir cerca de 1.000 partículas de plástico por ano. Esse valor ainda não chega perto das 11.000 partículas de plástico por ano que o consumidor europeu de mariscos ingere, segundo um estudo alemão, mas é preocupante.
 
O que são microplásticos
O microplástico, como o próprio nome diz, é uma pequena partícula de plástico que se vem tornando o principal poluente dos oceanos. O grande problema é que, como mencionámos acima, a grande quantidade de plástico nos oceanos, o microplástico altera a composição de certas partes dos oceanos, prejudicando o ecossistema da região e consequentemente a saúde humana.
O abandono do lixo doméstico de forma inadequada de produtos feitos com plástico e as redes de pesca, são as origens mais óbvias do problema e contribuem bastante para esta poluiçã. Ao chegar à natureza, produtos como garrafas, embalagens e brinquedos que não foram colocados corretamente para reciclagem, passam por um processo de quebra mecânica realizada pela chuva, pelos ventos e pelas ondas do mar, que fazem com que os produtos se fragmentem em pequenas partículas plásticas que se caracterizam como microplástico.
Há também outros poluidores, como o desperdício industrial inadequado de plásticos e até mesmo a perda de matérias primas que levam microplástico em sua composição, que ao longo do processo logístico acabam dispersos no meio ambiente. E o problema estende-se em formas inesperadas, a exemplo de um estudo realizado pela Fundação North Sea, em parceria com outras instituições, que aponta a presença de microplásticos também em produtos de beleza e higiene pessoal como esfoliantes, shampoos, sabonetes, pastas de dente, desodorizantes gloss e protetores labiais sob a forma de polietileno (PE), polipropileno (PP), politereftalato de etileno (PET) e nylon.
Pesquisas preliminares já apontam alguns dos riscos à saúde relativos à poluição gerada pelo microplástico. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Sistemas Ambientais da Universidade de Osnabrück, na Alemanha, aponta que esse tipo de material tem a capacidade de absorver produtos tóxicos encontrados nos oceanos como pesticidas, metais pesados e outros tipos de poluentes orgânicos persistentes (POPs), o que faz com que os danos à saúde da biodiversidade sejam muito maiores.
Outros estudos apontam a presença de microplásticos em moluscos e peixes (em uma concentração muito mais elevada do que no sal). Plânctons e pequenos animais, alimentam-se do plástico contaminado e, ao serem comidos por peixes maiores, propagam a intoxicação. No fim da cadeia, quando o homem se alimenta desses peixes maiores, está ingerindo também o plástico e os poluentes que se acumularam ao longo da cadeia. Entre os problemas relacionados à intoxicação por POPs estão diversos tipos de disfunções hormonais, imunológicas, neurológicas e reprodutivas.
 
A visita e o embaixador Karnazes
Por isso, nada melhor que um ultramaratonista, preocupado com  a vida saudável, com passagens por todos os cantos do Mundo, dando conferências e palestras motivacionais, que possa transmitir a mensagem de que temos de reduzir obrigatoriamente o desperdício de plástico para evitar esta propagação maléfica para todos os seres vivos na Terra.
Dean mostrou-se sensibilizado com esta causa, manifestando ainda a sua disponibilidade para a transmissão desta mensagem, sendo seguro de que o fará pois está envolvido e apadrinha diversas atividades de apoio à vida saudável e à sustentabilidade do planeta.

Subscreva a Newsletter e receba as notícias em primeira mão