Dário Moitoso: As corridas e as vacas

Autor: André Martins

Pode dizer-se que foi uma paixão à primeira vista: Dário Moitoso, de 25 anos, nasceu e cresceu no meio da Natureza na ilha do Faial e desde cedo que conhece todos os segredos das montanhas e dos trilhos. Talvez tenha sido isso que fez com que, em apenas três anos, se tenha tornado num dos melhores atletas de trail running em Portugal e uma promessa a nível mundial. No Ultra Trail Mount Blanc, uma das mais duras provas deste desporto, foi o melhor dos 42 portugueses que correram na categoria OCC (56,5 km), tendo terminado no 9º lugar, entre os 1.572 atletas presentes. "A classificação foi uma surpresa muito boa. Tinha a noção de que vinha a ganhar posições ao longo da prova, mas não sabia ao certo o lugar quando cortei a meta", diz.

Simples e humilde, Dário sabe, no entanto, que tem vindo a destacar-se, apesar de praticar a modalidade há pouco tempo. "Comecei a dedicar-me ao trail em maio de 2015, depois de ter abandonado o futebol devido a uma lesão numa clavícula. Comecei a correr para manter a atividade física e, depois, um amigo falou-me de uma corrida que havia [Azores Trail Run], que passava por trilhos perto de onde vivo, e decidimos experimentar, por curiosidade", revela. O futebol ficava para trás e o Clube Independente de Atletismo da Ilha Azul (CIAIA) ganhava uma estrela. Isto porque, em pouco tempo, começou a dar nas vistas. "São vários os fatores que me levaram a evoluir. Desde logo o facto de ser algo que, desde o início, me deu enorme prazer. Mas, principalmente, a minha evolução deve-se ao facto de trabalhar arduamente todos os dias para melhorar, treinando-me com afinco, e à possibilidade que tenho tido de manter um nível competitivo elevado, seja pela hipótese de correr em provas importantes fora do Faial, seja pelo nível de competição bastante elevado que notamos nas provas que há por cá", frisa.

Conciliar trabalho e treinos

Natural da Praia do Norte, Dário Moitoso vive num excelente lugar para a prática do trail running. O que não quer dizer que isso lhe torne a vida fácil. É que o jovem açoriano trabalha na agropecuária e segue um planeamento de treino rigoroso. "No meu dia-a-dia trabalho com o meu pai na nossa exploração agrícola, e vem daí o gosto pela Natureza, pela montanha. Faço de tudo, desde dar comida e água às vacas, trabalhar de trator para guardar alimentos para o inverno – não há dois dias iguais. Mas, assim, sem ter horários fixos, torna-se fácil coordenar tudo. O que é mais difícil é gerir o cansaço das duas coisas. Às vezes é preciso abdicar da vida social para poder descansar, mas quando se faz o que se gosta tudo se consegue", lembra. Normalmente, Dário treina 6 a 7 dias por semana, entre 10 a 15 horas, dependendo da prova que esteja a preparar. "O meu treino passa quase só por fazer corrida, faço também exercícios de reforço muscular e alguma bicicleta", adianta, já a pensar na final do campeonato nacional, em Ferreira do Zêzere, em novembro.

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