Abordagem aos trails

 
Nos últimos anos, a procura dos corredores portugueses pelas provas na natureza aumentou significativamente. 
Em alternativa ao alcatrão, os corredores começaram pelas provas de montanha, mas rapidamente chegaram aos “trails” (à corrida pelos trilhos) e, na verdade, são poucos os que experimentam esse tipo de corrida e depois não regressam.
 
Por que o fazem?
Para além de uma imensidão de razões, que vão da qualidade do ar, à paisagem, passando pelo verdadeiro sentimento de liberdade, outras existem de ordem fisiológica tão válidas quanto as primeiras. A verdade é que os trilhos não são tão duros como o asfalto e as irregularidades do terreno até estimulam a musculatura de forma mais completa. Porém, quem não está acostumado a este tipo de esforço tem que observar alguns cuidados, que aqui lhes deixamos. 
Mesmo quem é um corredor experiente, se ainda não está acostumado a correr na  natureza, o mais prático e seguro é abordar esse tipo de corrida alternando-a com  caminhada, isto para evitar alguns acidentes, que podem surgir frequentemente.
Correr nos trilhos até vai ajudá-lo muito na capacidade de reacção e a propriocepção em terrenos irregulares, tornando-o mais ágil e atento.
Correr nos trilhos pode ajudá-lo ainda de outra forma: no dia-a-dia, como não existem troços com medição, excepto os que já foram utilizados para corridas do sector, sendo difícil manter um andamento constante, é preferível utilizar o tempo como padrão do treino, do que a distância a percorrer. 
Vai verificar que se liberta de um espartilho quilométrico dando mais atenção ao meio ambiente e à paisagem que o envolve. 
 
Fique atento
Em contacto com a natureza, o corredor está sujeito aos seus caprichos, muitos deles imprevistos, o que até se torna mais atractiva a corrida em trilhos. É sempre mais aconselhável enfrentar os trilhos com companhia, pois terá sempre apoio moral e físico em toda a sua progressão. No entanto convém estar atento.
 
Notas:
VESTUÁRIO – Correr nos trilhos pode fazerse com um calção curto ou de licra e com uma t-shirt normal, sendo que no calor as roupas devem ser mais leves e, obrigatoriamente, deve usar-se um boné.
Quem procura correr em trilhos mais fechados, com mais vegetação envolvente,  conselha-
se o uso de “legging” e camisolas de manga comprida (uma vez mais, se estiver calor estas devem ser leves).
 
EQUIPAMENTOS – Correr nos trilhos obriga a um calçado reforçado, diferente do que é utilizado na estrada. Os sapatos têm de ter estabilidade, amortecimento e devem ser impermeáveis, pois a passagem de ribeiros e linhas de água é muito frequente.
Depois há um conjunto de acessórios que podem ser úteis, como polainas, que evitam a entrada de areia, gravilha e água nos sapatos; bastão de caminhada, que alivia as pernas e mantêm o corpo erecto; um cinto para transporte de água e algum alimento sólido como gel ou barras (os “camel ag” também são opção); um telemóvel (embora nalguns locais possa não existir rede); e, quem puder, um GPS para evitar perder-se.
 
REPELENTE – Nalguns locais, um repelente de insectos é tão importante como o protector solar. Lembre-se que correr em trilhos implica mais tempo para percorrer as distâncias, sendo que assim se expõe mais tempo à natureza e aos seus elementos (sol, chuva e vento,  principalmente).
 
POSTURA – Nos trilhos, a postura de corrida pode ser a diferença entre aproveitar a paisagem ou ser cilindrado por ela. Comece pelo básico: ombros relaxados, braços flexionados em ângulo de 90 graus e pés alinhados com o quadril. Quando o trilho se torna mais difícil ajuste a sua postura: 
- Diminua o tamanho da passada – dar passos mais curtos ajuda a manter o centro de gravidade;
- Levante os braços lentamente – Eleve os braços como se fossem asas, para manter o equilíbrio (ou use os bastões como apoio para uma progressão mais eficaz);
- Saiba o que tem pela frente – Alterne o olhar pelo que pisa e pelo que irá pisar mais adiante.
 
TERRENO - A lama obriga a mais concentração e força do corredor e, nessa ocasião, estar com os sapatos adequados, que não acumulem o barro na sola, conta muito. Em descidas com gravilha, deve alargar a passada tocando suavemente o solo com os calcanhares, enquanto semiflexiona um dos joelhos e distribui a força não somente nos membros inferiores, mas em todo o corpo. 
Em áreas com muitas pedras e raízes, o truque é olhar um pouco mais à frente do que se pisa, para que a abordagem tenha sequência mais fluida. 
 

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