Por que corremos?

A corrida tem, nos últimos anos, tido um aumento exponencial de praticantes. Basta-nos visitar parques, passeios junto a rios e praias, florestas ou, simplesmente, as ruas da sua cidade, para vermos corredores de todas as idades.

Será que estas pessoas se movem pelas mesmas motivações? Claro que não. Uns correm por prazer, outros pela companhia, alguns desejam correr cada vez mais depressa, outros cada vez mais quilómetros, mas certamente que todos correm porque isso os faz sentirem-se bem.

Mas, como não vivemos num mundo perfeito, assim que tiramos o nosso corpo da chamada zona de conforto, começam a aparecer o cansaço, as dores e, pior que isso, as lesões.

A facilidade da prática da corrida, leva a que muitas pessoas a iniciem sem orientação profissional e sem respeito pelos princípios básicos do planeamento de treino e da progressão individual do atleta. Porém, mesmo aqueles que procuram orientação profissional podem, ainda assim, apresentar dores e lesões oriundas da prática da corrida.

Há aspetos que não devemos desvalorizar assim que iniciamos a prática de uma nova atividade:

Qual o equipamento adequado?

Para cada modalidade existe um tipo de equipamento adequado, pelo que não devemos correr com calções de jogar ténis, nem montar a cavalo com calças de corrida... Deverá escolher equipamento adequado às condições climatéricas e com o qual se sinta confortável.

Que calçado devo usar?

Sendo a corrida um desporto em que a cada hora de prática damos milhares de passadas, com o consequente impacto que isso traz à coluna vertebral, o calçado assume especial importância. A escolha das sapatilhas vai depender do peso do atleta, do volume de treino, do ritmo de treino, do piso em que corre e da biomecânica da sua corrida. Para isso deverá procurar aconselhamento especializado.

O que devo comer antes de treinar? E depois?

A alimentação é um aspeto muito importante na prática desportiva. Ela pode condicionar, não só o nosso bem-estar durante o treino ou prova, mas também o rendimento desportivo. A ingestão energética deve ser adequada ao tipo de exercício praticado e também aos consumos energéticos diários, dependente do tipo de vida. As condições climatéricas, o stress, o aumento da massa muscular e, nas mulheres, a fase do ciclo menstrual são factores determinantes nas necessidades energéticas e nutritivas. Muitas pessoas que tentam perder peso, têm tendência de associar a prática desportiva à redução da ingestão calórica, mas isso pode aumentar a fadiga, reduzir a capacidade de recuperação muscular e, consequentemente, a predisposição a lesões.

E suplementos?

A necessidade de suplementação depende de muitos factores e o que foi aconselhado ao seu companheiro de treino pode não ser adequado para si... Se sente necessidade fazer alterações na sua alimentação, ou quer iniciar um esquema de suplementação alimentar, deverá aconselhar-se com um nutricionista especializado em nutrição desportiva.

E treinar, é só correr?

É claro que se apenas os queremos manter ativos, basta-nos correr em ritmo confortável 30 a 40 minutos, duas a três vezes por semana, mas se queremos participar em provas e ir melhorando progressivamente as nossas marcas, devemos cumprir um plano de treinos adequado às nossas capacidades e aos nossos objetivos. Claro que se queremos preparar uma prova de 10 Km, o treino não será igual ao de uma Maratona e se queremos correr os 10 Km em 40 minutos não poderemos treinar como quem pretende corrê-los em 60 minutos. Embora haja vários planos de treino disponíveis na internet, um plano personalizado será sempre a melhor solução.

E o aquecimento?

Todos os treinos devem começar com um aquecimento, com o objetivo de aumentar a temperatura corporal e a frequência cardíaca, de forma a preparar os músculos para o esforço que aí vem. Quanto mais intenso for o treino/prova, mais enérgico deve ser o aquecimento, no sentido de evitar lesões como roturas musculares.

O aquecimento deve incluir:

  • Exercícios de mobilidade para preparar as articulações
  • Alongamentos dinâmicos para preparar músculos tendões e ligamentos
  • Movimentos relacionados com a corrida para preparar o aparelho neuromuscular e aumentar a frequência cardíaca
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É mesmo preciso fazer alongamentos?

A corrida provoca um encurtamento das fibras musculares, pelo que os alongamentos no final de cada sessão são imprescindíveis para manter a flexibilidade muscular. Cada um destes alongamentos deve ser mantido por 40 segundos, de forma a haver mais do que uma simples adaptação das fibras musculares. Em caso de um esforço muito intenso, ou de uma prova, os alongamentos devem ser feitos, mas apenas algumas horas após o final do exercício, para evitar espasmos ou roturas.

Estes e outros assuntos serão aprofundados nas próximas semanas, de forma a que cada um de vós se sinta confortável para correr cada vez mais, melhor e ser mais feliz!

Ernesto Ferreira
Fisioterapeuta
GFD – Fisioterapia e Osteopatia
GFD Running

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