Hoka One One Clifton 4: Correr de salto alto?

(Nota prévia: O Clifton 5 saiu recentemente no mercado, mas optámos por fazer uma espécie de habituação ainda antes atacarmos o novo modelo.)

Autor: Fábio Lima

À primeira vista, o Hoka One One Clifton 4 é um ténis diferente e que, para quem está mais habituado a modelos 'normais', é capaz de ser de 'estranhar'. Aliás, até quando o colocamos no pé somos obrigados a um processo de habituação, quase como se estivéssemos obrigados a voltar a aprender a correr - no meu caso, confesso, quando o calcei ia caindo! Mas superada essa fase de habituação, o Clifton 4 torna-se realmente um ténis confortável e que nos dá uma corrida tranquila e sem grandes problemas.

E se nunca ouviu falar na Hoka One One, saiba que no ano passado passou a ser a marca mais utilizada nos Campeonatos do Mundo de Ironman, que anualmente decorrem no Havai. Passou de 16% de 2016 para 18% em 2017, deixando para trás a Asics, que até então vinha sendo a marca de preferência dos atletas de ironman. Aliás, até o próprio desenho tem características que mostram essa atenção aos atletas de ironman (e também de triatlo). Especialmente na zona do calcanhar, que conta com uma alça especial, desenhada precisamente para facilitar o ato de calçar o ténis, para a transição ser de facto mais rápida e eficiente. Mas, bem, esquecendo o aspeto técnico deste modelo, vamos então mergulhar naquilo que é este Clifton 4.

Uma meia-sola que 'assusta'

E o que salta desde logo à vista é aquela enorme meia-sola, não é verdade? Quase que parece que estamos a correr de salto alto... Afinal de contas são 29mm na parte traseira e 24mm na frontal. São 5mm de drop e aí chega desde logo o primeiro aspeto positivo deste ténis: o drop baixo, que nos permite uma corrida bastante natural. Natural sim, mas com uma boa dose de amortecimento. Parece até algo estranha esta conjugação, mas é isso que este Clifton 4 nos dá. Ah! E também uma responsividade incrível, que nos permite aproveitar a energia que colocamos em cada passada, devolvendo-a de forma bastante eficiente. Bem, três pontos positivos de uma assentada? É verdade...

Mas se estou numa de dar pontos positivos, vou também contrabalancear e apresentar algo que já é negativo por conta precisamente os três pontos acima. O Clifton 4 é um ténis mais pesado do que os seus antecessores, por causa da decisão da Hoka One One de dar mais responsividade ao ténis. Não se pode ter tudo, não é verdade? Mas mesmo tendo um pouco mais de peso, convém dizer que continua a dar-nos uma sensação de leveza bem interessante - a culpa será do seu conforto... E para quem olha para ele à primeira vista, até é mais leve do que podemos imaginar!

Continuando na forma como este Clifton 4 nos guia enquanto corremos, e voltando até um pouco atrás àquela sensação inicial (lembram-se de ter dito que quase caía quando os calcei pela primeira vez?), parece que estamos numa espécie de 'concha' (basta vê-lo de uma perspetiva lateral para se perceber essa característica). E, por isso, quando corremos somos quase forçados a aterrar de meio-pé, o que naturalmente nos impulsiona para a frente e 'obriga' a correr mais rápido. Tudo isto é possível com a aplicação do Meta Rocker, que não é mais do que a forma que a Hoka One One encontrou para promover uma responsividade o mais eficiente possível, sem nunca comprometer a naturalidade da passada.

A meia-sola - totalmente composta de EVA - está menos flexível em comparação com o modelo anterior, algo que se explica pelo facto de o 4 ter menos 'ranhuras' laterais de flexão. Essa mudança torna-o bem mais rígido, mas o formato Meta Rocker acaba por fazer esquecer essa falta de flexibilidade e manter a capacidade responsiva.

A zona do 'upper'
 
Aqui, a Hoka One One decidiu ouvir as críticas, que apontavam a durabilidade da zona superior como um problema. Mantendo o mesmo padrão de qualidade dos materiais utilizados, aplicou neste modelo um mesh tecnológico, que se apresenta bastante respirável e que permite ao nosso pé estar mais ou menos solto quando corremos. Não, não é perfeito nesta área, mas não é nada de muito crítico.

Na zona superior, na lateral do ténis, há a realçar a presença de seis linhas com material refletivo que a Hoka One One apelida de 3D puff, que permite ajudar a manter a estrutura do ténis e que acompanham o desenho desde a parte traseira até à frontal, até à biqueira.

O contraforte do calcanhar é bastante rígido, mas essa situação não atrapalha a corrida, especialmente devido ao facto de o interior ser acolchoado, ainda que ao toque pareça algo áspero. Ainda no calcanhar, nota para a presença de seis linhas de material refletivo (ideais para aquele extra de segurança nos treinos noturnos), assim como a já falada alça para ajudar a calçar o ténis.

Nota final para o 'toe box', que na versão normal pode incomodar alguns corredores com um pé algo mais largo. Ainda assim, pela primeira vez nos Clifton, a Hoka One One colocou ao nosso dispor uma versão mais larga, permitindo que um outro tipo de corredores possam ter acesso a este modelo sem sentir problemas de maior nesse particular.

A sola

as Tal como nos modelos anteriores, o Clifton 4 apresenta uma sola com borracha injetada em zonas específicas, as chamadas zonas de contacto e de maior desgaste. É possível vê-las na traseira, em ambos os lados, e na frontal, tanto nos lados como uma camada mais central.

A ideia é reforçar a durabilidade do ténis, permitindo também poupar no seu peso global (se tivesse borracha injetada em toda a sola o peso naturalmente iria subir bastante). Ainda assim, basta olhar para a imagem ao lado para perceber que a grande mudança entre o 3 (esquerda) e o 4 (direita) acaba efetivamente por ser a diminuição de superfície com borracha injetada... Ainda assim, a diminuição da superfície coberta pela borracha injetada não signficará necessariamente perda de durabilidade. Antes pelo contrário.

Conclusão

Este Clifton 4 'apanhou-me' no arranque da minha preparação para a próxima maratona, pelo que tive chance de os testar em vários tipos de treino. Onde melhor os senti foi no longo, ao darem amortecimento notável e permitirem imprimir um bom ritmo sem grandes problemas. Mas este acaba por ser desde logo um dos pontos positivos deste ténis: a sua versatilidade. Com ele podemos atacar praticamente todo o tipo de treinos (talvez tirando apenas os de séries) e também provas mais longas, da meia maratona em diante.

Por já ser uma versão 'desatualizada', encontrará este Clifton 4 a um preço bem mais simpático do que na altura do seu lançamento. Basta uma pesquisa pela internet para encontrar as melhores opções. Ah e este é também outro ponto negativo. Cá por Portugal há poucos pontos de venda... Ainda assim, depois de consultar a própria marca, deixamos alguns pontos de venda autorizados no nosso país: 4Run, Avalanche bike store, Run.pt, Runners.pt, Wildstore, Trail Runners, Ker Sport e 3D+ Store.

Dados técnicos

Peso: 265 gramas (modelo 42 masculino); 215 gramas (modelo 38 feminino)
Categoria: amortecimento
Arco: alto
Drop: 5mm (calcanhar: 29 mm/biqueira: 24)
Tipo de passada: neutra
Preço atual: algo em torno dos 100 euros

Nota final: modelo foi escolhido como a melhor nova versão de 2017 pela Runner's World

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